Abro a janela. Subo para o parapeito. Abro os braços e deixo-me cair de costas para a planificação do mundo. Aterro num chão feito de penas. Penas azuis das minhas pequeninas e frágeis asas. O mundo monta-se à minha volta e fecha-me dentro dele mesmo. Tudo é feito de penas, afogo-me nas minhas proprias penas.
As penas desaparecem. O mundo torna-se jaula. Eu torno-me prisioneira. Falta-me o ar. Ataram-me as asas.
Sinto a presença de alguém, mas está tudo tão escuro...porque não vejo? Mas sinto! Sinto alguém à minha frente! Uma mão gélida entra no meu peito e aperta-me o coração. Estilhaça-me a alma. Foi-se embora... Já não o sinto...Mas que dor...como doi. Já vejo. e ali, no meio das penas azuis, diante de mim, os bocadinhos agora baços da minha alma. Pego-lhes suavemente, na minha mão está o coração dos meus coraçoes. As penas movem-se e à minha frente um cheiro familiar. Aquele cheiro...toca-me no nariz, agarra-me na mão onde está a minha alma partida. Fecho os olhos e sinto a minha mão tocar-me no peito. Os bocadinhos unem-se e voltam para onde pertencem. Abro os olhos e a jaula desapareceu. Estou sentada naquele banco de pedra e chove. mas o cheiro continua sentado ao meu lado. move-se, toca-me nas costas e as minhas asas soltam-se. Aquela brisa com aroma a flores do lago trouxe-me de volta.
Acordo. O cheiro desapareceu. Era tudo ilusão.
Deitada na cama, percebo que nao passo de um anjo caido (sobre uma colcha de penas).
Ritinha,
ResponderEliminarNão nos conhecemos há muito tempo, é verdade, contudo, a tua forma doce de ser para toda a gente faz-me ter um enorme carinho por ti...
Obrigado por teres ido visitar o meu blogue, e sim, já estou melhor, aquilo foi um desabafo depois de um mau momento, mas o meu moleskine é mais alegre (multicolorido) que negro ;)
É bom saber que posso falar contigo :), e também espero que, a menina que partilha(va) a mesma cor de pulseira/elástico-ao-pulso, também saiba que pode contar comigo :)
baisers, baci, kisses, beijos
este sentimento magico que a prosa me deu tem a elasticidade infinita da existencia. obrigado
ResponderEliminarbeijo eterno