Na carruagem olhava pela janela. Via, lá fora, o mundo a correr, enquanto eu permanecia parada no tempo. O que seria de nós? O que faríamos nós num mundo tão apressado? Enquanto ali estava, sentada a olha para o mundo, pensava que não queria correr. Mesmo que o mundo corresse, eu não queria correr. Queria andar pelo tempo de mão dada contigo, sem pressa. Queria rebolar na relva, que via do outro lado da janela, contigo. Sem pressa. Aquele mundo que corria, apressado sem lugar para onde correr não era para mim. Não podia viver todos os meus sonhos a correr. Não os podia viver a correr só por que o mundo é apressado. Ou, na realidade, só por que os Homens o querem viver apressado. Queria aproveitar cada gota daquela chuva que agora caía na janela. Queria falar com cada uma e conhecer a sua vida de gota pequenina. Para isso, não podia ter pressa. Tu estavas sentado à minha frente a dormir. Como poderia eu viver aquele momento a correr? Olhar para ti a dormir era das melhores coisas do mundo. Das coisas que mais paz e calma traziam ao mundo. Com um pequenino sorriso encolheste-te no banco. Com o que estarias a sonhar? certamente com alguma forma de mudar o mundo. À minha frente sentado a dormir estava um pequenino lutador. Aproveitar todos os momentos contigo não podia ser algo feito com pressa.
Aquela viagem fez-me ver como desperdiçamos o nosso tempo a correr de um lado para outro e não aproveitamos as coisas pequeninas do mundo, que só podemos ver com calma. Continuava a olhar para a janela, ansiosa por sair do comboio e ir ver o mundo, contigo ao lado, sem pressa de chegar ao fim.
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