quinta-feira, 23 de julho de 2009

Reflexões na Liberdade 2009

Estava sentada naquela sala cheia de gente, cheia de barulho. São tudo confusões. Levanto-me. Saio. Sento-me numa mesa vazia por baixo de uma árvore. Tiro o MP3, o caderno de textos, pois é o único sitio onde possivelmente terei um bocadinho de folha vazia para escrever. Enquanto estava naquela sala feita de confusões lembro-me do livro que ando a ler. Penso que quando o leio mergulho de cabeça na história. Eu sou a personagem, eu sou a própria história. Vivo naquele mundo de massais, de somalis, faço parte daquele mundo. De todas as vezes que fecho o livro é como se fizesse "pausa" no filme. Mas na realidade, penso que a história continua, continua a ser lida por uns olhos invisiveis. A história não pára. No entanto não a leio. Estou parada. Na verdade passamos a vida parados. Passamos a vida à espera não sei muito bem de quê. Preocupamo-nos com coisas banais, sem lógica, sem sentido. Procuramos coisas desnecessárias. Choramos por coisas que nem deviamos pensar. Sofremos por coisas que nem deveriamos sentir. Já não confiamos. Há sempre algo que nos faz falar, contar, não calar. Complicamos tanto. desperdiçamos tanto.

Não sei se estou longe do que fui, ou perto do que serei. Queria chorar, encher um rio e passar para o outro lado. Mudar. Quem sabe até voar para o outro lado. Quero um mundo sem confusões, sem tristezas, sem dor. Com sorrisos permanentes, onde sou simples e verdadeiramente feliz. Imagino um prado enorme onde corro livre, feliz, despreocupada. Onde sou eu, onde és tu, onde são eles. Um mundo só meu. Um mundo ao qual chegamos ao esticar a mão. Estico a mão, sinto um vento quente, dou um passo em frente. Sinto o cheiro da terra molhada. Dou mais um passo e os meus pés descalços tocam na relva fria. Abro os olhos e à minha frente, o mundo. A dois passos de mim, em qualquer lugar da terra. Um mundo onde ando ao meu sabor. Talvez um mundo um pouco egoista. Mas um mundo com espaço para todos os mundos que não são confusos. Um mundo com uma lua cheia (" e você não veio, e você não quis."), com mares tão diversos ("que eu fiquei sem versos, eu fiquei em vão."). Quero tocar na lua, sentar-me lá. deitar-me e ser eu mesma luar. Depois deslizar levemente e cair dentro daquele mar. Deixar-me flutuar, deixar-me transformar em água. Sentir cada bocadinho de mim tornar-se uma gota de água e levemente sentir tornar-me mar. Ser somente mar. Ser cada uma daquelas gotas. Sentir cada gosta juntar-se, apertar-se e daí voltar a formar o meu corpo de humana. Tocar no fundo do mar e fazer força com os pés, para cima. Quase voar e esvoaçantemente sentar-se de novo na lua. Dali vejo todas as estrelas. Dali vejo o meu pequenino mundo. e lentamente, deitada sobre uma lua azul, vou continuando permanentemente a sonhar.

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