"As vozes embargam num silencio aflito, quanto mais se apartam mais se ouve o seu grito!"
o silencio envolve-me. cala-me a voz. fecha-me os olhos. e deixa-me sozinha.
o vazio.
a dor.
as lagrimas.
a luz da lua no chao do quarto, o arrepio. conseguirei um dia chegar até ela? serei eu um dia lua?
quero gritar, chorar, dizer que nao aguento. mas as maos do silencio vazio apertam-se contra a minha boca.
levanto-me. corro contra a janela, quero libertar-me. abrir a janela, voar. mas uma mao invisivel puxa-me para tras. abana-me, senta-me. e eu continuo presa dentro daquele vazio gigante. desisto. não consigo mais. vou ficar aqui. nao tenho força para lutar contra o vazio.
lentamente deslizo para cima da luz da lua, aperto os joelhos contra o peito. fecho os olhos, e percebo que não posso ficar ali à espera que as asas se desenrolem sozinhas. se quero voar, entao vou faze-lo. se quero gritar, gritarei. se continuar assim deixarei lentamente de ser chuva de cor para ser chuva a preto e branco. e lentamente transformar-me-ei em nada.
levanto-me, abro a janela. penso na lua. quero ser a lua.
Abri as asas e voei.
(mesmo assi, serei lua?)
ja nem sei o que escrevo. (:
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